sábado, 6 de fevereiro de 2010

personalidades (contorversas?)



O oceano, límpido, leve, sereno, misterioso… sou eu (quem?), o oceano. É o meu olhar puro, transparente, imperfeito de disfarce, onde os sentimentos se revelam à tona da água, sem peso suficiente voltam a afundar-se nesta alma profunda que possuo. É neste mesmo olhar onde as palavras mergulham numa ingenuidade imensa, sendo cada letra uma imagem real… fantasiada por mim. Apontemos o dedo à sinceridade que se apodera do meu ser, que me faz crer que todos os outros assim o são, tal e qual como o mar: puros, honestos, verdadeiros. Mas não, triste sonho idealizado (…) Tantos sonhos despertos pela traição e deslealdade apunhalada nas costas. Tantas lágrimas salgadas pela mentira, pelo engano, pelos actos impuros do Homem.
Conheço o meu gosto permanente pela bancada do “contra”, mas estará a sinceridade sentada aqui? Será a honestidade um valor contraditório? Que seja! Mais uma vez terei tendência para contrariar, revelando o meu lado teimoso, persistente e determinado. Como eu gosto de me retirar do num mundo que nós próprios criámos. Não é tão bom a quebra da rotina? Não é tão doce o aroma da independência? Que paladar tão próprio que esta palavra carrega… “LIVRE”, diria eu, “Eu sou LIVRE”. Liberdade esta imposta desde cedo, sempre tive a necessidade de espaço para os meus ideais e todos estes foram inaugurados de uma forma autónoma e independente, repletos com os clássicos ideias, excêntricos e futuristas, tão comuns no meu ser. Sempre disse possuir uma alma de pássaro. Porquê? Talvez por esta conseguir voar a cada momento que o meu olhar é cativado. Ou então, por a liberdade que emerge o meu ser no quotidiano ser em demasia, tal como a necessidade que surge em expirar e inspirar lentamente ao saber da suave brisa que me esvoaça os cabelos.
Porém, o facto de apreciar o meu espaço, não quer dizer que torne este exclusivo. Apenas é restritivo, não que seja impossível de invadir a minha vida íntima, mas sim (quase) impossível. Não, não sou anti-social, penso que sou uma pessoa bastante simpática e transmitindo a minha tranquilidade e boas vibrações que possuo para qualquer pessoa que se sente ao meu lado, independentemente do seu currículo ou aparência. No entanto, uma minúscula parte (minúscula mesmo muito minúscula) é que consegue desvendar a misticidade e enigma que se esconde por debaixo da tranquilidade que a minha transparência transporta. Estas pessoas encarregam-se de lidar com a minha imprevisibilidade, com o não quando esperavam um sim, com um não quando esperavam o oposto. E esta imprevisibilidade não é estimulada por uma ideia de choque ou surpresa antecedente, mas simplesmente é a forma mais natural que eu ajo diariamente. Toda a energia espontânea que borda o quadro da minha vida não é nada mais que a naturalidade do meu ser, embora esta naturalidade seja bastante original e criativa e se transforme em actos completamente inesperados e, por vezes, com a sua graça. Não suporto a ideia de um dia poder ser igual a alguém, a diferença, a originalidade torna-se no meu oxigénio quando penso em agir de uma forma autêntica e sem correcções, seguindo todas as linhas e contornos do meu carisma abstracto.
Retomando ao oceano, os meus gestos são tão impulsivos quanto as ondas deste. Ajo por intuito, porque sinto que tenho que fazer e não porque devo fazer. Esta atitude intuitiva vem desde os primeiros passos da infância. Não me considero possuidora de um sexto sentido, mas tenho a certeza ser possuidora de um coração, e se eu não sentisse todos estes sentimentos que carrego cada vez que os dedos desenham palavras… como é bom estar vivo.

domingo, 18 de outubro de 2009

Alguém sem ti...


Não te ver enlouquece-me. Enraivece-me o olhar mortífero, ferido pela tua constante ausência. Nunca provei tal intenso veneno como o silêncio a que me sujeitas cada vez que cerras os lábios numa linha ténue e por sua vez perfeita. Questiono-me como algo duma beleza fulcral pode provocar sentimentos de uma acidez tão presente nas palavras. Fotografias alimentam a ânsia de te ver, de te tocar ou por sua vez de beijar…
Meras especulações que se acabam por perder no vazio do ar. As vozes lá de fora querem que eu quebre as correntes silenciosas que o tempo nos cedeu. Porém este silêncio é algo que nos interliga, apesar de ser um vazio, é o nosso vazio. Se este se quebrar, posso não te sentir nunca mais, como as fotografias que adormecem debaixo da minha travesseira.
As artes me ocupam o derradeiro tempo que é escasso nesta etapa, e a frustração me invade apenas por não me restar tempo para te escrever. Embora não leias, eu escrevo para ti compulsivamente. Não existe um único registo sem uma influência tua, seja uma frase, uma foto, um esboço… Tu estás lá… E eu sinto-te como ninguém. Mas eu sou ninguém, pois só alguém que não existe é que deseja viver no imaginário da tua ausência.
E eu sou ninguém, ninguém nesta vida. Alguém sem ti… mas um ninguém.

domingo, 4 de outubro de 2009

esquecer não é tão bom quanto soa...

Se todos os pontos finais simbolizassem um final concreto é obvio que ninguém se lamentava pelas recordações indesejadas. Simplesmente, tudo o que achássemos menos bom na nossa vida acabaria por se esquecer com o anoitecer, com a mesma velocidade com que um raio de sol atravessa o vidro. Tão rápido que não podíamos saborear as memórias, nem sequer traçar sonhos no horizonte…
Porém esquecer implica um esforço que não tem caracterização possível… é muito mais que um ponto no fim de uma frase. É uma vitória sobre o tempo e os nossos desejos. É uma mágoa que acaba por se transformar em depressão e que no final apenas resta o vazio do que foi esquecido, pois embora o esquecido seja esquecido, o seu lugar é sempre relembrado.
Esquecer não é tão bom quanto soa.
Quando recordamos o vazio do esquecido, as memórias tornam-se distantes, frias… Fazem de nós estátuas de gelo, pessoas que não sentem, não vivem… inatingíveis. Solidão? Não, apenas a ausência de alguém. Alguém inimitável, insubstituível, alguém como tu…

terça-feira, 1 de setembro de 2009

hoje não existem




Palavras.
O silêncio navega nas ruas de Lisboa, repousa na sombra.
As sombras tornam-se lares, a poesia adormece nos leves galhos dos carvalhos. O que é das palavras nesta rua da capital? “Elas voaram”, diz o pintor. Traços tão leves com o pincel faziam escorrer a tinta pela folha de papel, tão dóceis as suas mãos...
Uma voz ingénua soltou-se no pequeno jardim, “Eu quero uma... mas não tenho asas pra voar”.
O pintor levantou o olhar. Os seus olhos ternos de cor de avelã tinham uma expressão solitária e magoada... Eu vi a lágrima soltar-se, a sua expressão era cinzenta. Eu vi, um poeta que o tempo esqueceu, sua íris se afogava em memórias que se tornaram intocáveis na sua vida. A mente imergiu em algo longínquo... Depois, uma clara frase pronunciada com um tom discreto pairou naquele lugar:
“Um dia vais voar sem levantar os pés da terra. Nesse dia, terás descoberto uma palavra: o amor”
texto e fotografia por natacha batista

domingo, 26 de julho de 2009

olhos para o vazio

Acordei do sonho
A inspiração voou contigo
Pois talento nunca tive
Agora tenho olhos para o vazio
Deixei de contemplar a vida
A chuva tornou-se muda,
A minha voz também,
As estrelas invisíveis,
Como o meu sorriso rasgado,
E tu inalcançável... tal e qual como o vazio

terça-feira, 21 de julho de 2009




Que sufoco de alma que torna muda a alma já cega,


Que vontade de evaporar no céu azul

Que não me nega


O que é da paz residente no vocábulo amor?

Nela apenas encontro a dor,


Dor esta profunda e mortífera


Que nem o mundo suporta


Tombou em mim, essa dor, no meu frágil e vulgar ser.


Ser agora pálido, gelado...morto


Afinal o vazio, não é apenas vazio


O vazio é cheio de nada


Pois a dor, as mágoas e o frio


Só mantêm a mente calada.

sábado, 18 de julho de 2009

mudança

quando a rota nos troca os caminhos e o destino continua a ser a dor, é mais um motivo que justifica a morte da inspiração num único nome próprio, que se torna a repetir, uma vez mais neste drama inspirado na vida.

domingo, 14 de junho de 2009

castigo



Os dias vão passando, e eu tolero meu divino castigo. Castigo este por te amar tanto, de uma forma tão demente. Entreguei-me ao teu olhar dum jeito descomunal e precoce, mas na paixão não existe um tempo definido para que a flor desabroche: esta já abriu antes do primeiro beijo. O segredo está em amadurecer o fruto com entrega e sabedoria, para que o amor nasça e seja reposto na natureza através das sementes.
No entanto, eu prefiro a paixão ao amor. Prefiro a linda flor de aroma afrodisíaco ao fruto sábio e suculento. Prefiro o toque dos lábios doces como as pétalas ao amargo beijo de limão. O tempo azeda o sentimento, termina com a naturalidade dos momentos e transforma a paixão numa rotina designada “amor”.
O meu castigo é essa mesma palavra, o amor. Vivo num amor platônico que me impede de me apaixonar por outros olhares. O sonho é sempre o mesmo, as palavras e o coração também. O silêncio é notório na tua ausência. Quebra-se com a tua aparição, como se os olhares que trocamos exprimissem a dor. A dor de te ver sabendo que jamais tornarei a possuir-te. Não basta a tatuagem? Porquê é que tens de aparecer? Porquê...

terça-feira, 26 de maio de 2009

“Será o Prestígio Social Superior a Uma Voz Revolucionária e Justiceira?”

É um facto bem visível, nos dias de hoje, que a sociedade valoriza demasiado a fama e o dinheiro. Num momento em que o poder controla a sociedade, é pertinente questionar se a humildade permanece no ser humano, ou se, pelo contrário, este valor tropeçou nos degraus da fama e da luxúria.
Considero que a fama está ligada ao dinheiro, e que se a personalidade for famosa, esta fama é recompensada com muito dinheiro. Tomemos como exemplo um jogador de futebol português x que joga no estrangeiro e recebe 563,55 mil euros mensais, enquanto um médico professional y que diariamente salva vidas ganha cerca de 0,5% desse valor e não recebe o respeito de ninguém. É esta a injustiça em que mergulha o mundo.
Penso que ao escolher um curso superior, a maioria das pessoas opta pelo que tem mais saída professional e ordenados elevados, trabalhando por vezes em coisas que não gosta. A não opção pela sua verdadeira vocação faz com que a pessoa se torne frustrada e arrogante na práctica da sua profissão. É deste modo que surgem os médicos antipáticos que nos despacham do consultório com receita médica passada sem precedente análise.
Creio que existe “sede” de poder por parte de indivíduos de todos os tipos de classes sociais: desde a peixeira que quer ser presidente da associação de moradores, ao médico que quer ser presidente da Câmara Municipal. Mais uma vez o poder se revela numa aspiração comum a todos, cujo objectivo é alcançar superioridade sobre os outros.
Falemos agora do egocentrismo citadino por parte dos mais poderosos. Observe-se o clássico exemplo dos políticos. Estes colocam interesses pessoais em primeiro plano, em detrimento dos interesses da sociedade. E para a sua “boa” fama não desabar, ajudam amigos e familiares a ocupar lugares aos quais outras pessoas teriam direito pelo facto de terem níveis de escolaridade mais elevados e currículos com melhor qualidade.
Estou convicta de que o cidadão comum julga as pessoas pela aparência e quem não se veste consoante os valores predefinidos pela sociedade é descriminado. Nos dias de hoje, a aparência consegue valer mais que um bom currículo numa entrevista de emprego. Tais factos revelam a ausência de valores morais que assombram o século em que vivemos.
Por todas estas razões, sou completamente contra à excessiva valorização da fama e do dinheiro por parte da sociedade. Do meu ponto de vista, acho que está na hora de desviarmos o olhar do nosso umbigo e contemplar a injustiça residente neste mundo. Será o prestígio social superior a uma voz revolucionária e justiceira? Não, porque existe uma coisa que a fama e o dinheiro não podem comprar: a vossa alma.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

ela

Ela não é poeta. Ela não é rima, não é citação, não é obrigação. Isto tudo não se trata duma escrita lúdica, mas sim dum desabafo da intensidade problemática. A delicadeza habita nos seus gestos. O olhar tornou-se efêmero devido à agressividade melódica do amor.
As pessoas lhe apontam o dedo discriminando seu isolamento social tanto como sua loucura passional. Ninguém a entende, como se sua personalidade se tratasse dum vírus de fácil contágio e todos temessem uma eventual epidemia. Seu espírito mergulha no céu estrelado, dando a entender que o sonho resolve todos os nós da garganta. No entanto, tal acto apenas se transforma numa fuga ao quotidiano áspero e tirano que se faz sentir.
Por tudo isso, ela preferiu viver num mundo fora dos mundos. Travou laços de amizade com as estrelas, e apaixonou-se pela lua. O outro lado do céu fora descoberto por uma mera mortal. Durante o dia, ansiava pela noite, pois as saudades já lhe consumiam a alma e quando, mais tarde, o sol se escondia no horizonte, tudo regressava: as estrelas, a lua... o sonho.
O tempo tornou-a numa espécie de astro intocável, pois já nem o amor tinha capacidades para lhe tocar o coração. Até que um dia, um dia, o olhar esmeraldino regresse e a paixão lhe torne a consumir a liberdade excêntrica típica de aquariana. Agora perguntemos se o astro se encontrará demasiado distante, inapto para sustentar tanto brilho proveniente dum simples e mortífero olhar.

sábado, 9 de maio de 2009

as viagens, os comboios e o tempo


Os minutos aguardando pelo comboio concedem-me recordações inalteráveis que o vento fez questão de guardar. Este tipo de ambientes sempre me deram a conhecer o meu mais temido interior. A parte de mim mais assustadora e inflamável. Está na hora de a minha voz se transformar em palavras do coração, está na hora da declaração que todo o mundo quer saber, um mundo que se resume a uma identidade: nós.
Foi há nove meses. A estação encontrava-se deserta, silenciosa, embalada pela suave brisa típica do litoral. Um comboio passou, e sempre que isto sucedia agarravas-me na cintura como se nunca desejasses a minha partida. Tornava-se num acto defensivo, e eu sabia que me protegias. Os beijos voavam ao som dos velozes comboios cujos não paravam ao nosso lado. Pois até estes não queriam que a distância nos levasse. Éramos dois jovens sem noção do tempo e da enfermidade duma paixão remota. Os ponteiros andavam nuns relógios, noutros os dígitos aumentavam o seu valor. E noutros relógios, o tempo repousava. Relógios onde existem também dois ponteiros, o do amor, e o da saudade. Quando o ponteiro das saudades adormece, o tempo acaba. Quando isso acontece, o trabalho do ponteiro do amor é manter a saudade a dormir pois, quando esta acorda, o relógio continua a trabalhar e o tempo a passar.
É o coração. O coração é o relógio que pára o tempo quando a saudade termina e os dois corpos colidem. Agora, aqui sem ti, o tempo continua, e eu só desejo um bilhete para qualquer sitio, para um comboio cujo destino seja longínquo daqui. Necessito duma viagem que me livre das memórias, de ti. Que me devolva a outra metade de mim, a minha liberdade e espírito aberto sem noção das horas, minutos e segundos. Despeço-me de ti amor louco, e se fosses uma história escrita em papel, já o teria rasgado há muito, muito tempo...

terça-feira, 5 de maio de 2009

viver é para os fortes

Viver é algo de certa dificuldade,
Porém são poucos os que se atrevem
A sonhar num mundo fora da realidade.
Minha alma e espírito escrevem,
Algo duma duradoura longevidade.
Oxalá meus ingênuos versos levem,
Aos quatro continentes, a minha filosofia,
Pois o meu coração lhes fará companhia.

sábado, 25 de abril de 2009

despedida


O tempo voa, a uma velocidade que nos escapa entre os dedos sempre que o tentamos agarrar. Desejava embarcar numa viagem rumo ao continente americano, só para sentir os ponteiros do relógio a andarem para trás. Ter a sensação que o tempo pode recuar e que o passado está apto para renascer.
Adormeço nesta praia ao relento. O pensamento domina o corpo, o pensamento traz, mais uma vez, as memórias dum amor incalculável. O passado ganha vida neste areal. O comprimento dos meus cabelos rapidamente diminui, a pele fica banhada dum tom doirado, e o olhar adquiri novamente todo o esplendor da palavra estabilidade. O sorriso renasce entre as trevas do buraco negro, o coração fica sem feridas e a pulsação aumenta a um ritmo galopante.
É deste modo que a mente se refresca quando se lembra de ti, de mim, de nós, de um pretérito-perfeito. É por esta razão que o teu nome não me escapa, que as tuas esmeraldas não se apagam com o suspiro do tempo. É assim que me despeço, sem lógicas, sem afirmações, porque uma vez que o meu coração adormeceu, já vivi mais que o necessário.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

olhar esmeraldino

Cada vez que me relembro do teu deslumbrante olhar, o corpo entra em erupção graças ao simples facto de não te ter. Facto este, simples a um olhar científico, no entanto extremamente complexo aos olhos de alguém que amou de corpo e alma. Piorando a situação, os sentimentos são impossíveis de descrever em tempos verbais passados, pois estes prolongam-se até aos dias de hoje, e só acabarão por se sumir no momento em que a alma fechar os olhos para sempre.Não há palavras para exprimir o que nos sucedeu. Foi triste, é a expressão adequada, fui feliz, também não deixa de ser verdade.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

dm




Fracos de espírito como eu, quando os pensamentos se quebram no vento, é preferível adormecer a poesia e deixar repousar as memórias. Então o corpo descansa estendido na cama, confortável e ameno entre os lençóis, porém a alma, esta continua desperta, embalada pela chuva que bate nas janelas.O sono não domina a mente, e o sonho toma conta da fragilidade dum olhar cerrado, ferido pela palavra amor. O teu olhar esmeraldino invade os meus sonhos, e o teu toque é quase real, com a mesma elegância e delicadeza com que me tocavas na face. O beijo, contem o mesmo sabor, mergulhando na total paixão tórrida que sempre nos envolveu desde a exposição. No entanto, agora neste sonho, sinto a saudade cada vez que os nossos corpos coleiem. Quero adormecer eternamente, para o teu sabor nunca se sumir ao despertar, porque tu foste o único homem que amei até hoje. Não aceito a ausência, a saudade, o silêncio da tua voz sempre que o meu olhar se cruza com o teu. O que mais fere a minha serenidade, é que nem sequer houve tempo para te dizer que te amava. E hoje, é tarde de mais para palavras, para gestos ou discursos, porque nada que te poderei dizer, se compara à angustia suportada no peito, ao coração desfeito... Guardo em mim uma parte de ti, e deixei voar outra de mim.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Versos Nocturnos



Amargo amor que me cegou
Lento vento que me despiu
Não me respondas que acabou
E que meu coração partiu

A saudade corrói a vida
Deixa a nossa caravela à deriva
Quando é que tu regressas,
E o teu amor me confessas?

O tempo secou o lago feito com lágrimas
A ferida já se tornou numa cicatriz
Em silêncio te declaro rimas
Sabes bem que és a mediatriz

As minhas telas cheiram a solidão
O meu corpo contém o amor das tuas mãos
Os versos foram levados pelo vento
E os segundos pelo tempo

A mente desespera por um beijo
O choro por um abraço
Louvado seja este desejo
Que me rouba o cansaço

Em todo o lado encontro vestígios do nosso amor
Não agüento mais viver sem o teu calor
Volta para aqui
Eu nunca me esqueci de ti...
fotografia e texto por Natacha batista

sábado, 4 de abril de 2009

A Persistência do Passado


Mais um pôr-do-sol contemplo isolada no meu jardim, e sem excepção, deito-me na relva macia e fresca. As nuvens são tão doces e delicadas, tal e qual ao teu toque. Toque esse nos meus lábios, tão leve e cauteloso, que descrevia ponto a ponto cada traço da minha boca. Esta, misticamente, dava vida a um sorriso rasgado e tímido que te persuadia de imediato a puxares-me o queixo para ti. Depois, davas-me a conhecer trios nos teus lábios, encaminhando-me para beijos provenientes de um amor rubro e demente.
Quando o amor nos domina a alma, esta não é digna de receber pensamentos precoces relativos ao destino. O amor conduz-nos a um sono pesado, onde todos os segundos que estamos despertos são sonhos fantasiados em todos os minutos em que estamos a dormir. Fazemos planos futurísticos para afastar o fim do sonho, mas há que ter noção que um dia, seja este próximo ou distante, tudo vai terminar. Tudo irá entrar na dança do vento, as memórias, as fotografias, os beijos trocados. E se assim o vento o achar, mais tarde levaremos com uma brisa do passado que fará renascer em nós todos esses planos que ficaram pendentes no tempo. Como se ao levantarmos a cabeça, déssemos de caras com o que no passado foi o tudo e o nada.
Neste momento, sinto-me congelada pela ausência do teu olhar esmeraldino. O meu coração reside nas ruas que nos viram de mão dada, nos areais onde escrevi o teu nome, nas estações de comboio que serviram de cenário ao nosso romance. A carência humana é agora dissipada em paixões platônicas, que nunca chegaram a ser amor, porque o meu sentimento continua imobilizado nos capítulos anteriores que não foram finalizados, e só quando eu e tu pusermos um ponto final nesta história, é que voltarei a ser livre de espírito, de alma... da palavra amor.



quinta-feira, 2 de abril de 2009

sou louca, já sei





Não sei o que me deu, para pegar novamente na caneta e regressar às palavras. Não sei a identidade dos pensamentos que me estão a invadir o corpo neste preciso momento, mas uma coisa é certa, jamais conseguirei de abandonar a escrita. Por mais que me sinta cansada e desiludida com a vida, a minha alma jamais morrerá. Aliás, mesmo morta, a minha alma continuará a alimentar folhas em branco, preenchendo-as com as melhores palavras do mundo. Tenho sempre uma palavra a desvendar, com a intenção de mudar o mundo.Pergunto ao vento quem sou. Não passo duma simples mortal. Hoje, estou aqui e escrevo cartas anônimas, amanhã posso já nem respirar. Sou louca de espírito, louca nos actos, nas palavras. Mais tarde ou mais cedo, internar-me-ão pelos meus ideais excêntricos, porque no mundo em que vivemos, mentes diferentes como a minha são consideradas atentados à vida. Quero juntar loucos como eu, lutar pela nossa voz. Revolucionar o mundo. E um dia, um dia, quando o mundo ouvir os loucos, vocês conhecerão o verdadeiro sentido de “viver”.


segunda-feira, 30 de março de 2009

voou, desisti

A luz ao fundo do túnel apagou-se. Todo o tempo disperso a alimentar a chama dum futuro próximo morreu nos ponteiros dos relógios. Todas as páginas preenchidas com o teu nome se afundaram no recife das memórias, onde nem o destino consegue recuperá-las. O livro perdeu capítulos, os melhores que possuía. A história já não tem nexo, o fio condutor sumiu... Sumiu nas tuas frases, nos suspiros da minha voz cansada. Restam os momentos agendados em sonhos, a paixão pela poesia. As lágrimas já são muito mais que meras gotas, são rimas inspiradas no sentimento mais doloroso que a alma já presenciou. A poesia sai cansada, magoada pelo desespero dum coração quebrado. A minha inspiração foi embora, o meu romantismo fez as malas e saiu de casa. Quem sabe um dia o voltarei a encontrar, nos arredores de uma cidade. A minha janela permanecerá aberta ao destino, aguardando noticias levadas na suave brisa da vida. Meus braços continuarão à espera do tão prometido abraço. Voltemos ao passado, aos nós da garganta e sentimentos expressos no silêncio das palavras. Regressemos á clássica folha em branco. Hoje, desisto da escrita, deixei voar o meu talento, doei-lo ao vento. Tudo porque não há arte sem talento, e não existe talento sem invocação. A minha inspiração residia em ti, e tu foste embora...
Talvez um dia, de uma forma remota, regresse ás palavras, á filosofia... ao amor.

quarta-feira, 25 de março de 2009

tocha ardente


Deixo-me embalar pelo suave silêncio que se pronuncia nesta rua. As nuvens ganham forma humana criando miragens do teu rosto. Deixo a brisa envolver os meus cabelos numa suave dança com sabor primaveril, isto tudo, ao mesmo tempo em que o sol beija meu corpo abalado pela tua ausência. Chamo por ti, arrasto comigo penumbras malignas ao amor para que mais tarde as possa absolver em cada arrepio proveniente do teu abraço.
De ti, não espero tantas palavras lançadas ao ar, nem tantos sentimentos expressos numa linguagem intelectual. Apenas aguardo por um beijo teu que me trará todas as respostas filosóficas da vida. Acredita que nesses meros segundos aprenderei muito mais sobre o amor do que os conhecimentos adquiridos ao longo da minha vida.
Estou disposta a esperar por ti e viver suportada em planos imaginativos, alimentado deste modo a chama que nos interliga da forma mais dolorosa possível: com a minha invulgar poesia.
Amar é travar guerras contra os obstáculos, aceitar derrotas de queixo erguido e acima de tudo é não fechar o livro que narra a nossa história na 1º pessoa, onde eu e tu somos os únicos narradores, bem como os únicos protagonistas.
“Não sei como fizemos isto, mas que está a ser a melhor coisa do mundo isso está.”
São frases tuas como esta, que me invadem a mente diariamente, e citações como esta que fazem com que a tocha não se apague com os valentes sopros da distância.
texto e imagem por Natacha Batista